Irão nota “tendência para subida” na propagação do vírus

 Irão nota “tendência para subida” na propagação do vírus

Os primeiros casos do novo coronavírus apareceram em meados de fevereiro no Irão, que é de longe o país mais afetado pela pandemia no Médio Oriente.

“Constatamos uma tendência para subida nos últimos três ou quatro dias, o que é significativo”, declarou hoje o porta-voz do Ministério da Saúde, Kianuche Jahanpur, na sua conferência de imprensa diária.

Esta subida “deve-se ao nosso comportamento, nomeadamente nas últimas duas semanas, uma parte da sociedade aparentemente mudou de atitude” face às regras de precaução contra o vírus, disse.

Além dos 1.680 novos casos registados oficialmente nas últimas 24 horas, o Irão contou também 78 mortos, que fazem aumentar o total para 6.418, segundo o porta-voz.

As autoridades tinham anunciado no domingo, na segunda-feira e na terça-feira 47, 74 e 63 mortos, respetivamente.

Pelo menos 2.735 pessoas continuam hospitalizadas em estado crítico, adiantou Kianuche Jahanpur.

Para conter a propagação da doença, o Irão tomou várias medidas de restrição, sem nunca ter imposto o confinamento.

Desde 11 de abril, foi autorizada a reabertura gradual das lojas e desde segunda-feira a das mesquitas em cerca de 30% dos municípios onde o risco de contágio era considerado mínimo.

A subida dos casos poderá ser atribuída a um aumento das deslocações entre as cidades, notou o porta-voz.

Os números do governo são considerados muito subestimados por alguns especialistas estrangeiros, mas também por vários responsáveis iranianos.

Um relatório parlamentar divulgado em meados de abril estimava que o verdadeiro balanço poderia ser 80% mais alto que o anunciado pelo governo.

Os dados fornecidos pelo executivo têm por base apenas “os doentes que foram hospitalizados com sintomas graves”, assinalava o relatório, que alertava para uma “segunda vaga” da pandemia no país no inverno.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 257.000 mortos e infetou quase 3,7 milhões de pessoas em 195 países e territórios, segundo um balanço da agência France Presse.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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